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Um Sonho Que Se Tornou Realidade

Em nossas vidas, acreditamos que o inesperado não conhece nosso endereço, mas quando acontece nos faz repensar nossos ideais.

A perda de um filho é algo muito doloroso, mas foi a partida dele, Felipe Augusto, que motivou a criação da Casa Azul, que nasceu em outubro de 1989, inspirada em um sonho, que mostrou existir um caminho ainda desconhecido a se percorrer.

No início era simplesmente um trabalho voluntário, mas o tempo foi direcionando aonde deveríamos chegar. Mulheres e crianças ávidas por uma vida melhor depositaram, em um terreno árido na então inóspita Samambaia, pedras e madeiras imantadas de amor, de solidariedade, de esperança e de perspectivas de vida.

Fadas madrinhas surgiram e com um toque da varinha conseguimos um terreno, o que permitiu estruturar a nossa casa. E eis que surge o primeiro espaço físico, sem muros e sem acomodações, mas um lugar mágico onde todos que ali entravam sentiam-se seguros, acolhidos e amados.

O trabalho crescia, e novas crianças amedrontadas, famintas e revoltadas chegavam à Casa Azul. Um novo desafio surgiu. O que fazer diante da dura realidade em que viviam aquelas crianças e adolescentes? Precisávamos ser criativos. Um novo espaço desponta: um galpão sem conforto, uma cozinha pequena e quente, uma quadra sem trave. Estrutura inadequada, mas imantada de muito amor. O importante era conquistar aqueles jovens de forma prazerosa, tornando a Casa Azul um lugar em que acreditassem, confiassem, sentissem-se seguros, amados, respeitados e, acima de tudo, tivessem o direito de se imaginar ganhando asas.

Os sonhos em preto e branco começaram a ganhar cor. Vidas se transformaram, famílias se organizaram, mas ainda havia muito que fazer. Diante da grande procura por vagas nessa “Casa dos Sonhos” urgia a necessidade de ampliar as instalações físicas. E, mais uma vez, conseguimos erguer um novo prédio com conforto, fruto do esforço de todos que por aqui passaram, ou estão, depositaram na Casa Azul suas esperanças e lutaram por realizá-las.

Enquanto o mundo se desenhava aos nossos meninos como um mosaico de luzes e cores, tínhamos mais um desafio, dar a eles condições para enfrentá-lo, inserindo-os no mercado de trabalho e assim tivessem a possibilidade de construir sua estrada de vida.

A dura realidade com que convivemos diariamente, com meninos e meninas sendo assediados por traficantes, com famílias desestruturadas, com a falta de perspectiva de vida para os nossos jovens, não nos fez abandonar a luta, pelo contrário, nos deu forças para superar esses desafios. Portanto, cada jovem que conseguimos tirar das ruas é motivo de orgulho, é uma conquista, é uma vitória.

Olhando para trás, vemos um longo caminho percorrido. Em alguns trechos repletos de flores, outros com alguns cascalhos e pedras, mas, ao olharmos para frente, vemos um grande tapete verde, de esperança por uma vida melhor na qual todos que estão, ou ainda chegarão, acreditaram que a Casa Azul é capaz de tornar seus sonhos realidade.

 

                                                                 

Daise Lourenço Moisés

Presidente

 

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